RELEMBRAR POETICAMENTE FATOS MARCANTES DE UM PASSADO DISTANTE
Memória de livros
Não sei bem dizer como aprendi a ler. A circulação entre os livros era livre (tinha que ser, pensando bem, porque eles estavam pela casa toda, inclusive na cozinha e no banheiro), de maneira que eu convivia com eles todas as horas do dia, a ponto de passar tempos enormes com um deles aberto no colo, fingindo que estava lendo e, na verdade, se não me trai a vã memória, de certa forma lendo, porque quando havia figuras, eu inventava as histórias que elas ilustravam e, ao olhar para as letras, tinha a sensação de que entendia nelas o que inventara. Segundo a crônica familiar, meu pai interpretava aquilo como uma grande sede de saber cruelmente insatisfeita e queria que eu aprendesse a ler já aos quatro anos, sendo demovido a muito custo, por uma pedagoga amiga nossa. Mas, depois que completei seis anos, ele não aguentou, fez um discurso dizendo que eu já conhecia todas as letras e agora era só questão de juntá-las e, além de tudo, ele não suportava mais ter um filho analfabeto. Em seguida, mandou que eu vestisse uma roupa de sair, foi comigo a uma livraria, comprou uma cartilha, uma tabuada e um caderno e me levou à casa de D. Gilete.
João Ubaldo Ribeiro. Um brasileiro em Berlim.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. pp. 106-107.
Umas principais características de um texto do Gênero Memórias literárias, segundo As Olimpíadas da Língua Portuguesa, "é a recordação de um passado distante, a infância geralmente, por um adulto, com uma linguagem, rebuscada e subjetiva, literária, ou por alguém que conhece essas histórias de um adulto amigo seu." Dizendo isso de forma bem simplificada possível. Deu pra entender? Posta uma comentário aí com sua dúvida ou sugestão! :D :) <3
sexta-feira, 20 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
POESIAS ESCOLHIDAS II
"O LUGAR ONDE VIVI," E SEMPRE VIVEREI
POEMA I
SERTÃO
Ascenso Ferreira
Sertão! - Jatobá!
Sertão! - Cabrobó!
- Cabrobó!
- Ouricuri!
- Exu!
- Exu!
Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos,
Tangendo as reses para os currais...
Blém...blém...blém...cantam os chocalhos
dos tristes bodes patriarcais.
E os guizos fininhos das ovelhinhas ternas
dlin...dlin...dlin...
E o sino da igreja velha:
Bão...bão...bão
.................................
Poemas de Ascenso Ferreira. Recife, Nordestal, 1981, p.26.
POEMA I
SERTÃO
Ascenso Ferreira
Sertão! - Jatobá!
Sertão! - Cabrobó!
- Cabrobó!
- Ouricuri!
- Exu!
- Exu!
Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos,
Tangendo as reses para os currais...
Blém...blém...blém...cantam os chocalhos
dos tristes bodes patriarcais.
E os guizos fininhos das ovelhinhas ternas
dlin...dlin...dlin...
E o sino da igreja velha:
Bão...bão...bão
.................................
Poemas de Ascenso Ferreira. Recife, Nordestal, 1981, p.26.
domingo, 8 de junho de 2014
POESIAS ESCOLHIDAS I
CONVITE
José Paulo Paes
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião
Só que
bola, papagaio, pião
de tano brincar
se gastam
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
Poemas para brincar. 2ª ed.
São Paulo: Ática, 1991.
Esse convite é um dos melhores que se pode fazer ou receber. O convite à poesia, a brincar com as palavras. Dentre as muitas (ou poucas para alguns) particularidades definidoras do ser humano, a capacidade de gerar poesia é fantástica, pois é uma coisa tão difícil e tão fácil, tão complicada e tão simples de entender. São todos convidados a brincar de poesia conosco. :D :) <3
José Paulo Paes
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião
Só que
bola, papagaio, pião
de tano brincar
se gastam
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
Poemas para brincar. 2ª ed.
São Paulo: Ática, 1991.
Esse convite é um dos melhores que se pode fazer ou receber. O convite à poesia, a brincar com as palavras. Dentre as muitas (ou poucas para alguns) particularidades definidoras do ser humano, a capacidade de gerar poesia é fantástica, pois é uma coisa tão difícil e tão fácil, tão complicada e tão simples de entender. São todos convidados a brincar de poesia conosco. :D :) <3
sexta-feira, 6 de junho de 2014
AS PALAVRAS SEMPRE DIZEM MUITO MAIS
UMA POESIA INESQUECÍVEL
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
Geraldo Vandré
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Nas escola, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chãos
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Link: http://www.vagalume.com.br/geraldo-vandre/pra-não-dizer-que-nao-falei-das-flores.html, acesso em 06 de Junho de 2014.
Ouvi alguém dizer que "a música sozinha" pode muita coisa e blá, blá, blá. Pode até ser, não sei, mas tira a letra dessa música pra ver o que sobra. Não se pode subestimar o poder da palavra.
Entretanto, estamos aqui muito mais para aprender do que qualquer outra coisa. Se vc querido leitor discorda, tem total liberdade de nos apresentar seu ponto de vista. "Vem vamos embora... :D :) <3
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
Geraldo Vandré
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Nas escola, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chãos
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Link: http://www.vagalume.com.br/geraldo-vandre/pra-não-dizer-que-nao-falei-das-flores.html, acesso em 06 de Junho de 2014.
Ouvi alguém dizer que "a música sozinha" pode muita coisa e blá, blá, blá. Pode até ser, não sei, mas tira a letra dessa música pra ver o que sobra. Não se pode subestimar o poder da palavra.
Entretanto, estamos aqui muito mais para aprender do que qualquer outra coisa. Se vc querido leitor discorda, tem total liberdade de nos apresentar seu ponto de vista. "Vem vamos embora... :D :) <3
quinta-feira, 5 de junho de 2014
POESIA I
O BURACO DO TATU
SERGIO CAPARELLI
O tatu cava um buraco
A procura de uma lebre,
Quando sai pra se coçar,
Já está em Porto Alegre.
O tatu cava um buraco, O tatu cava um buraco,
E fura a terra com gana, Dia e noite, noite e dia,
Quando sai pra respirar, Quando sai pra descansar,
Já está em Copacabana. Já está lá na Bahia.
O tatu cava um buraco O tatu cava um buraco,
E retira a terra aos montes, Tira terra muita terra,
Quando sai pra beber água, Quando sai por falta de ar,
Já está em Belo Horizonte. Já está na Inglaterra.
O tatu cava um buraco O tatu cava um buraco.
E some dentro do chão, Com as garras muito fortes
Quando sai para respirar, Quando quer se refrescar,
Já está lá no Japão. Já está lá no Polo Norte.
O tatu cava um buraco,
Um buraco muito fundo,
Quando sai pra descansar,
Já está no fim do mundo.
O tatu cava um buraco,
Perde o fôlego, geme, sua
Quando quer voltar atrás,
Leva um susto, está na Lua.
111 poemas para crianças,
Porto Alegre: L&PM, 2008.
Algum desavisado, ao ler estas palavras, poderá pensar que o poeta está tratando daquele animalzinho, comedor de pequenos insetos e frutas, que faz sua casa em um buraco, conhecido como 'toca'; mas, será que é só isso mesmo? Será que uma historinha de um tatuzinho cavador?
Um grande poeta já dizia que "as palavras nos dizem mais do que aquilo que está escrito." Venha trazer sua opinião sobre essas e outras poesias que estamos aprendendo juntos nas Olimpíadas de Língua Portuguesa na nossa escola. Quero muito aprender mais com sua participação!! Vai ser show de bola, aqui na nossa escola!! Êêêbaaaa!! Aprender é bom demais!! :D :) <3
SERGIO CAPARELLI
O tatu cava um buraco
A procura de uma lebre,
Quando sai pra se coçar,
Já está em Porto Alegre.
O tatu cava um buraco, O tatu cava um buraco,
E fura a terra com gana, Dia e noite, noite e dia,
Quando sai pra respirar, Quando sai pra descansar,
Já está em Copacabana. Já está lá na Bahia.
O tatu cava um buraco O tatu cava um buraco,
E retira a terra aos montes, Tira terra muita terra,
Quando sai pra beber água, Quando sai por falta de ar,
Já está em Belo Horizonte. Já está na Inglaterra.
O tatu cava um buraco O tatu cava um buraco.
E some dentro do chão, Com as garras muito fortes
Quando sai para respirar, Quando quer se refrescar,
Já está lá no Japão. Já está lá no Polo Norte.
O tatu cava um buraco,
Um buraco muito fundo,
Quando sai pra descansar,
Já está no fim do mundo.
O tatu cava um buraco,
Perde o fôlego, geme, sua
Quando quer voltar atrás,
Leva um susto, está na Lua.
111 poemas para crianças,
Porto Alegre: L&PM, 2008.
Algum desavisado, ao ler estas palavras, poderá pensar que o poeta está tratando daquele animalzinho, comedor de pequenos insetos e frutas, que faz sua casa em um buraco, conhecido como 'toca'; mas, será que é só isso mesmo? Será que uma historinha de um tatuzinho cavador?
Um grande poeta já dizia que "as palavras nos dizem mais do que aquilo que está escrito." Venha trazer sua opinião sobre essas e outras poesias que estamos aprendendo juntos nas Olimpíadas de Língua Portuguesa na nossa escola. Quero muito aprender mais com sua participação!! Vai ser show de bola, aqui na nossa escola!! Êêêbaaaa!! Aprender é bom demais!! :D :) <3
terça-feira, 3 de junho de 2014
TEXTO DO TRABALHO II
MINHA VIDA DE MENINA
Helena Morley
Quarta-feira, 28 de agosto (1985).
Faço hoje quinze anos. Que aniversário triste!
Vovó chamou-me cedo, ansiada como está, coitadinha, e deu-me um vestido. Beijou-me e disse: "Sei que você vai ser sempre feliz, minha filhinha, e que nunca se esquecerá de sua avozinha que lhe quer tanto". As lágrimas lhe correram pelo rosto abaixo e eu larguei dos braços dela e vim desengasgar-me aqui no meu quarto, chorando escondida.
Como eu sofro de ver que mesmo na cama, penando como está, vovó não se esquece de mim e de meus deveres e que eu não fui o que devia ter sido para ela! Mas juro por tudo, aqui nesta hora, que vovó melhorando eu serei um anjo para ela e me dedicarei a esta avozinha tão boa e que me quer tanto.
Vou agora entrar no quarto para vê-la e já sei o que ela vai me dizer: "Já estudou suas lições? Então vá se deitar, mas procure antes alguma coisa para comer. Vá com Deus".
Minha vida de menina. São Paulo: Companhia das Letras, 1942.
Esse texto está na Coletânea das Olimpíadas de Língua Portuguesa de Memórias literárias, mas será que faz parte desse gênero mesmo? Huumm, vamos descobrir nas próximas oficinas. Não percam as oficinas das Olimpíadas de Língua Portuguesa, estão muito interativas. Vlw galera!! Iuhuuu :D :) <3
Helena Morley
Quarta-feira, 28 de agosto (1985).
Faço hoje quinze anos. Que aniversário triste!
Vovó chamou-me cedo, ansiada como está, coitadinha, e deu-me um vestido. Beijou-me e disse: "Sei que você vai ser sempre feliz, minha filhinha, e que nunca se esquecerá de sua avozinha que lhe quer tanto". As lágrimas lhe correram pelo rosto abaixo e eu larguei dos braços dela e vim desengasgar-me aqui no meu quarto, chorando escondida.
Como eu sofro de ver que mesmo na cama, penando como está, vovó não se esquece de mim e de meus deveres e que eu não fui o que devia ter sido para ela! Mas juro por tudo, aqui nesta hora, que vovó melhorando eu serei um anjo para ela e me dedicarei a esta avozinha tão boa e que me quer tanto.
Vou agora entrar no quarto para vê-la e já sei o que ela vai me dizer: "Já estudou suas lições? Então vá se deitar, mas procure antes alguma coisa para comer. Vá com Deus".
Minha vida de menina. São Paulo: Companhia das Letras, 1942.
Esse texto está na Coletânea das Olimpíadas de Língua Portuguesa de Memórias literárias, mas será que faz parte desse gênero mesmo? Huumm, vamos descobrir nas próximas oficinas. Não percam as oficinas das Olimpíadas de Língua Portuguesa, estão muito interativas. Vlw galera!! Iuhuuu :D :) <3
Assinar:
Postagens (Atom)